A CERCA

(  087  ) MENSAGEM DO DIA

31 DE JULHO DE 2018  – TERÇA-FEIRA

 

Em algum lugar deste planeta havia um menino de muito mal humor. Nada o agradava e nenhuma conversa o animava ou motivava a mudar. E por conta desse mal humor, o garoto tratava todo mundo muito mal.

O pai falava, falava, dava conselhos, mas parecia que tudo entrava por um ouvido e saía pelo outro.

Até que um dia, na última tentativa de sensibilizar o filho para a importância do bom convívio com as pessoas, o pai entregou um saco cheio de pregos e pediu que toda vez que ele se descontrolasse e tratasse mal alguém, pregasse um prego na cerca da casa.

E assim fez o menino. Na primeira semana, martelou 90 pregos na cerca.

Na segunda foram 63 pregos.

Na terceira semana o garoto já começou a perceber o quanto era ruim se descontrolar. Prestou mais atenção nas próprias atitudes e melhorou bastante. Martelou somente 37 pregos na cerca.

Quando estava para completar um mês, o menino já começava a administrar com sucesso as próprias emoções. E acabou descobrindo que era mais fácil controlar a boca e o temperamento do que martelar aqueles pregos na cerca.

Até que chegou o dia em que o garoto não perdia mais o controle. E nenhum prego mais foi martelado na cerca.

Feliz da vida, correu para contar a novidade ao pai.

Com muita sabedoria, o pai o abraçou e disse:

– Estou muito feliz com o seu progresso, meu filho. Agora já podemos passar para a segunda parte do ensinamento.

– Como assim, questionou o menino.

– Sua lição ainda não ter terminou. Estou vendo que você está administrando melhor suas emoções e controlando as situações que o desagradam. Portanto agora é hora de retirar os pregos da cerca. Para cada pedido de desculpas e cada gesto de simpatia que tiver com as pessoas, terá direito a um prego a menos na cerca. Quando conseguir retirar todos os pregos voltaremos a conversar.

E assim foi. Muitos dias se passaram e o jovem garoto, por fim, conseguiu retirar um por um, todos os pregos da cerca.

E correu contar ao pai.

– Muito bem! disse o pai, contente. Agora venha comigo para a terceira e última parte do ensinamento.

O pai pegou o garoto pela mão e o levou até a cerca. Então disse:

– Veja que belo trabalho você fez, meu filho. Com o tempo foi controlando o seu temperamento e foi diminuindo os pregos na cerca… depois foi se desculpar com as pessoas, consertar o que foi feito, retirando todos os pregos – um a um. Agora, observe a cerca. E veja os buracos que cada prego deixou na madeira. Os pregos não estão mais aí. Mas com certeza a cerca nunca mais será a mesma. Da mesma forma é a vida, meu filho. Quando você fala ou faz coisas com raiva, deixa uma cicatriz exatamente como essa, no coração do outro.

E não importa quantas vezes você peça desculpas. Já foi. Já fez. E o ferimento vai permanecer lá.

Isso não quer dizer que o perdão não exista. Também não quero dizer que viver sempre de bem com a vida é fácil. Porém, agora que aprendeu a lição, quero que reflita: antes de pregar um prego na cerca, lembre-se que retirá-lo, depois, pode deixar marcas que tempo nenhum poderá apagar.

Melhor do que se desculpar por um erro cometido, é pensar duas vezes antes de agir.

 

MÚSICA …. PATRICIA MARX – Quando chove – NOVELA A VIAGEM

OS DOIS CAVALOS

(  086  ) MENSAGEM DO DIA

30 DE JULHO DE 2018  – SEGUNDA-FEIRA

 Julinha adora passar férias no sítio do Vovô Mário, tomando banho de rio, comendo fruta do pé e brincando com os animais.

Um dia, andando pelos lados do pasto, Julinha viu dois cavalos.

De longe, pareciam cavalos como os outros; mas olhando bem, percebeu que um deles era cego.

Julinha achou estranho vovô João ter um cavalo cego no sítio e pensou:

– Tadinho, dele. Esse cavalo não deve servir pra nada!

Julinha percebeu mais. Não só vovô João não mandou o cavalo cego embora, como arrumou pra ele um amigo.

Ao cavalo cego Julinha deu o nome de Chocolate, por causa da cor. E ao amigo, o outro cavalinho mais jovem, deu o nome de Sininho, por causa do sino que havia no pescoço dele.

A diversão de Julinha era ir todas as manhãs ao campo procurar por Chocolate e Sininho.

Olhava, olhava… procurava…. e de repente ouvia um som. Era Sininho que vinha lá longe.

De vez em quando Sininho parava. Mas em alguns segundos recomeçava a andar.

Foi aí que Julinha percebeu.

O sininho tinha sido colocado no pescoço do cavalinho mais jovem justamente para que o amigo pudesse saber onde estava e ir até ele.

Os dois cavalinhos passavam o dia comendo e no final da tarde Chocolate, o cavalo cego, seguia o companheiro até o estábulo. Em dia de colheita, Chocolate ajudava na lida, carregando os fardos pesados de milho, junto com o amigo Sininho. Quer dizer: quase isso, porque Chocolate era mais forte e conseguia carregar o dobro de carga de Sininho.

Julinha ficava maravilhada porque Sininho se preocupava com Chocolate, sempre olhando pra ver se o amigo o estava acompanhando. E muitas vezes até parando, para que o outro pudesse alcançá-lo.

Em contrapartida, Chocolate seguia, confiante, guiando-se pelo som de Sininho, confiante de que o outro o estava levando pelo caminho certo.

É…. Vovô João tinha razão em não mandar Chocolate embora. Um completava o outro, como todos os amigos de verdade.

 

MÚSICA …. JOTA QUEST – Waiting for you

VAI SE TRATAR!

(  085  ) MENSAGEM DO DIA

27 DE JULHO DE 2018  – SEXTA-FEIRA

 

Álvaro e Marlene namoraram por 3 anos. Depois ficaram noivos numa festinha íntima, só para os mais chegados.

E casaram.

Marlene era romântica e adorava agradar o marido fazendo tudo o que ele mais gostava.

Mas Álvaro não era o mais romântico do planeta. E nem amável.

Não era só o mito de esquecer datas importantes e não gostar de visitar a sogra.

Não. Álvaro estava o tempo todo de cara amarrada, fazendo exigências, se algo não saía do jeito que ele gostava. E o pior é que nem Álvaro sabia o que ele gostava. E isso incluía Marlene.

Se Marlene cortava o cabelo, preferia mais comprido. Se fazia espaguete, o desejo era de lasanha. Se comprava um vestido azul, era o amarelo que lhe caía melhor.

Essa situação foi tirando o vigor da jovem esposa, que não tinha mais aquele brilho nos olhos de anos anteriores, nem vontade de se arrumar.

A tristeza foi tomando conta de Marlene e por várias vezes Álvaro a flagrou chorando em algum canto da casa.

Até que um dia Álvaro explodiu – e gritando, disse pra ela ir se tratar.

E foi isso o que ela fez. Tratou o cabelo, tratou a pele, tratou do corpo, tratou de conhecer gente nova, tratou de viajar, tratou de rir, tratou de se divertir…

E foi se tratando que Marlene percebeu que não precisava de Álvaro pra ser amada… e sem ele, tratou de ser feliz.

 

LULU SANTOS – Tempos modernos

A CURA

(  084  ) MENSAGEM DO DIA

26 DE JULHO DE 2018  – QUINTA-FEIRA

 

Júlia chegou ao trabalho reclamando de dor. Aliás, naquele mês ela já tinha colecionado uma infinidade de problemas de saúde. E olha que a segunda quinzena mal tinha começado!

O pior é que era só aparecer outra pessoa com outro problema qualquer, que Júlia já se sentia doente também. Fora as receitas caseiras que pedia e receitava. Tinha sempre um caso pra contar – de preferência vivido por ela mesma – e uma fórmula milagrosa pra cada necessidade.

Júlia já estava tão acostumada a estar doente, que nem reparava que as pessoas estavam se afastando dela, por não aguentarem mais tanta reclamação.

Até que um novo colega de trabalho chegou, transferido de uma filial de outro estado. Rodrigo era do tipo calmo, tranquilo, personalidade que logo atraiu Júlia, “a doentinha”.

Mas o que Júlia não sabia era que Rodrigo já tinha sido alertado sobre a mania da colega, de colecionar doenças.

E na primeira oportunidade, Júlia despejou:

– Ahhh hoje não acordei legal. Passei a noite com umas pontadas no peito… preciso passar na farmácia. Conheço um remédio que pode dar um jeito nisso.

Já preparado, Rodrigo respondeu:

– Sabe, Júlia, algumas pessoas dão muita atenção às dores mas esquecem que as dores são apenas sinais de que algo não anda bem. Dor não é doença. É sintoma. E o sintoma é apenas um alerta. Um alerta de que alguma coisa não está bem. Na verdade, tratar apenas a dor impede que se elimine a causa da enfermidade.

– Eu acho que essa dor no peito é alguma coisa no coração. Quando eu era criança tive sopro e acho que pode ter alguma relação, justificou Júlia.

– Lembre-se também que a cura real somente acontece de dentro pra fora… continuou o amigo.

– Como assim? questionou Júlia.

– Procure um médico. Isso é imprescindível. Mas quando disser que tem dor no peito, diga também que sua dor é dor de tristeza, é dor de angústia.

– Por que diz isso?

– … porque cada parte do nosso corpo está relacionado a um tipo de emoção que sentimos. Quando está com azia, por exemplo, deve descobrir qual é o motivo que leva o seu humor a aumentar a produção de ácidos no estômago. Com certeza são eles os agentes da azia. Já a causa do mau humor… você vai ter que descobrir.

– Sabe que você pode ter razão? disse Júlia, interessada.

E o amigo continuou:

– Conheci um homem que tinha diabetes. No fundo, lá no fundo, ele não estava mais encontrando doçura na vida e pra ele estava muito difícil suportar o peso de suas frustrações. Todos os nossos problemas de saúde começam nas emoções.

Diga que você sofre de enxaqueca, mas também confesse que padece com essa sua mania de tudo perfeito, esse seu perfeccionismo, sua autocrítica. Admita que é muito sensível à crítica dos outros e demasiadamente ansiosa.

– E não é que é verdade? Pensando bem…

– Pois é, continuou Rodrigo. Muitos querem se curar, mas poucos estão dispostos a neutralizar em si o ácido da calúnia, o veneno da inveja ou a bactéria do pessimismo.

Procuram a cura de um câncer, mas se recusam a abrir mão de uma simples mágoa.

Pretendem a desobstrução das artérias coronárias, mas querem continuar com o peito fechado pelo rancor e pela agressividade.

Almejam a cura de problemas oculares, todavia não retiram dos olhos a venda da fofoca e da maledicência.

Pedem a solução para a depressão, entretanto, não abrem mão do orgulho ferido e do forte sentimento de decepção em relação às perdas que vivenciaram.

Suplicam auxílio para os problemas de tireoide, mas não cuidam de suas frustrações e ressentimentos, não levantam a voz para expressarem suas legítimas necessidades.

Imploram a cura de um nódulo de mama, todavia, insistem em manter bloqueadas a ternura e a afetividade por conta das feridas emocionais do passado.

Clamam pela intercessão divina, porém permanecem surdos aos gritos de socorro que partem de pessoas muito próximas de si mesmos.

Nossa alma nos fala através de mil modos; a enfermidade é um deles e por certo, o principal recado é que está faltando mais amor e harmonia em sua vida.

Toda cura é sempre uma auto cura. E conhecer a si mesmo e vivenciar integralmente no amor (sob todas as formas e práticas) é a farmácia onde podemos encontrar todos os remédios que verdadeiramente nos curam por dentro. E pra sempre.

MÚSICA – 14 BIS – Caçador de mim

 

A PULGA INFELIZ

(  083  ) MENSAGEM DO DIA

25 DE JULHO DE 2018  – QUARTA-FEIRA

Era uma vez uma pulga. Doroty era uma pulga simpática, uma pulga bem legal. Mas Doroty andava triste, desanimada, não sentia mais graça na vida – nem pular ela pulava mais. Não tinha mais vontade de brincar com os colegas e já não se alimentava há três dias.

Sentadinha no dorso de Bolinha, um vira-lata muito fofinho, a pulguinha só se lamentava:

– Ai meu Deus, eu não mereço viver assim, nessa infelicidade. O que está acontecendo comigo? Eu era uma pulga tão alegre, tão saltitante, agora estou sozinha, sem vontade nem de viver…

E assim, Doroty ia se lamentando, sentindo-se a vítima do mundo, sem perspectiva de futuro, sem vontade de nada.

– O que vai ser da minha vida? O que eu fiz pra merecer isso?

Até que um dia, incomodado com outras pulgas que ali viviam também, Bolinha começou a se coçar. E coçava, coçava, coçava…se chacoalhando todo.

E nesse terremoto canino, Doroty foi jogada pro alto e foi parar bem no topo da cabeça do vira-lata. Foi aí que a pulguinha descobriu que o mundo dela era muito maior do que podia imaginar. Do alto dos pelos de Bolinha, Doroty vislumbrou um universo de coisas: ao redor do vira-lata havia ruas e nas ruas casas, carros, pessoas e até outros cachorros. O mundo era muito maior do que a pulguinha conseguia enxergar.

Doroty ficou maravilhada e imaginou:

– Quanto tempo perdi choramingando e me sentindo a mais infeliz das criaturas! Eu não sabia que existia vida além do Bolinha e vejo, agora, quantas coisas novas me esperam. Se Bolinha não tivesse se incomodado e se coçado, eu nunca seria jogada pro alto e nunca teria descoberto esse mundão ao meu redor.

E agora? O que fazer?

Ficar na vidinha desanimada, triste, porém confortável, ou se arriscar num mundo que nem conheço?

Por alguns segundos a pulguinha pensou:

– Eu morava na base dos pelos de um cachorro e hoje eu sei que o mundo é muito mais do que eu achava que fosse. Em vez de me lamentar, agora eu pergunto: Qual é o recado que a vida está querendo me dar? O que é que eu tenho que aprender com isso? Quem sabe o que me espera depois da curva daquela estrada?

E deixando de focar no seu próprio problema, Doroty deu um salto, abandonando para sempre a vidinha insossa que levava no vira-lata, à espera de novas e grandiosas experiências e aprendizados.

MÚSICA : JOTA QUEST – O sol

A LEI DO CAMINHÃO DE LIXO

(  082  ) MENSAGEM DO DIA

24 DE JULHO DE 2018  – TERÇA-FEIRA

 

 

Bruno estava atrasado para o aeroporto. Ia viajar. E resolveu pegar um táxi junto com a namorada, Carolina. Apesar do trânsito, o fluxo de carros ia bem, cada um na sua faixa, direitinho… até que, de repente, um carrão preto saiu do estacionamento de um supermercado, direto na frente do táxi.

A taxista pisou no freio bruscamente, chegou a derrapar na pista e por um triz escapou de bater em outro carro.

Foi tudo muito rápido e não fosse a habilidade da taxista e coisa pior podia ter acontecido.

Do outro lado, o motorista do carro preto gesticulou, nervoso, e começou a gritar para a taxista, soltando um monte de palavrões.

A taxista, por sua vez, apenas sorriu e acenou de modo amigável, fazendo um sinal de positivo.

Indignado com a situação, Bruno perguntou:

– Esse cara quase acaba com o seu carro, arriscando a sua vida e as nossas, te xingou de tudo quanto foi nome e você fica calma desse jeito?

A taxista ligou o som, ajeitou o cabelo, sorriu e respondeu:

– Eu pratico a Lei do caminhão de lixo.

– Lei do quê? perguntou Carol, não entendendo mais nada.

– Eu explico. Muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e desapontamentos. E vão acumulando esse lixo a cada situação ruim que vivenciam. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente.

– E você acha isso justo? questionou Bruno, indignado.

– Eu nunca tomo isso como pessoal, explicou a taxista. Isso não é pra mim! Não é um problema meu! É dele!

Se não é pra mim, se não é meu, apenas sorrio, aceno e desejo a ele sempre o bem e que siga em frente.

Experimente! Não pegue o lixo dessas pessoas e nem o espalhe sobre outras no trabalho, em casa ou nas ruas.

Continue com a sua paz (porque essa é sua) e fique tranquilo! …respire fundo e deixe o caminhão do lixo passar.

MÚSICA: ROBERTA SÁ – Essa moça tá diferente

 

VELHO!  QUEM?  EU?

(  081  ) MENSAGEM DO DIA

23 DE JULHO DE 2018  – SEGUNDA-FEIRA

 

 

 

Esta é a história de Raquel, uma adolescente de 14 anos que morava com os pais e a avó. O problema é que Raquel era ranzinza demais, reclamando de tudo o tempo todo. A mãe da garota não sabia mais o que fazer, porque tinha horas em que ficava complicado conviver com uma pessoa tão “reclamona”.

Vovó Helena, ao contrário, era a alegria feito gente. Sorridente, otimista, pra ela não tinha tempo ruim – sempre tinha uma palavra de conforto e de esperança a todos que dela se aproximavam.

Um dia, família reunida na cozinha, Raquel chega para o café da manhã. E como sempre, de cara amarrada, para desgosto da mãe, que comentou:

– Nossa, Raquel, emburrada logo cedo? Parece uma velha!

O pai olhou para vovó Helena e tentou consertar:

– Onde está escrito que cara fechada e velhice são sinônimos?

Mas antes que a mãe tentasse explicar, vovó Helena respondeu:

– É. Não existe idade para a velhice, viu? Está aí Raquel que não me deixa mentir. Envelhecemos quando nos fechamos a novas ideias e nos tornamos radicais.

Envelhecemos quando o novo nos assusta… quando pensamos muito em nós e nos esquecemos dos outros. Envelhecemos quando deixamos de lutar.

E continuou:

– A vida é uma escola e todo mundo está matriculado nessa escola, onde o grande professor é o tempo. E só conseguimos medir esse tempo marcando as fases da nossa existência. Mas isso é mera formalidade.

É verdade que a vida só poderá ser compreendida se olharmos para trás. Mas só poderá ser vivida se olharmos para a frente. Na juventude aprendemos e com a idade compreendemos.

Por isso compreendi que as pessoas são como os vinhos: a idade estraga os ruins, mas aprimora os bons.

Então, envelhecer, pensando bem, não é preocupante. Todo mundo envelhece desde o momento em que nasce. Preocupante é ser visto como um velho! E pra isso não tem idade, porque envelhecer com sabedoria não é envelhecer, mas sim adquirir mais experiência.

Nos olhos dos jovens pode até arder a chama. Mas é nos olhos dos velhos que brilha a luz.

Sendo assim, não existe idade. Idade somos nós que criamos.

Vejam o meu caso! Pessoalmente eu não tenho idade. Eu tenho vida!

Portanto, Raquel, não permita que a tristeza do passado (mesmo que seja um passado recente) e o medo do futuro estraguem você ou estraguem a alegria do seu presente.

– … porque a vida é curta, não é mamãe? sugeriu o pai de Raquel.

– Não, meus amores, a vida não é curta. São as pessoas que permanecem mortas por tempo demais. Então façam da passagem do tempo uma conquista e não uma perda. Vivam suas vidas até esgotá-las e sintam-se jovens o tempo todo, todo o tempo!

Quem é velho aqui? Eu? Eu não! Só se for a Raquel.

Eu sou jovem, porque amo a vida e a celebro todos os dias. E quem quiser ser velho, que seja! Vai perder muita coisa boa!

Viva a vida!!!

MÚSICA: LEGIÃO URBANA – Tempo perdido

QUE TIPO DE AMIGO ESTÁ NA SUA VIDA?

(  080  ) MENSAGEM DO DIA

20 DE JULHO DE 2018  – SEXTA-FEIRA

 

 

Já parou pra pensar o quanto é bom não estarmos sozinhos neste planeta?

E de todas as pessoas que entram na nossa vida, com certeza as melhores são os amigos.

Há vários tipos de amigos. Mas todos entram na sua vida por uma “Razão”, por uma “Estação” ou por uma “Vida Inteira”. Quando você percebe de que tipo são, com certeza vai saber o que fazer por cada um deles.

Quando alguém está na sua vida por uma “Razão”… é, geralmente, para suprir uma necessidade que você teve ou demonstrou. Essas pessoas aparecem para te ajudar numa dificuldade, te fornecer orientação ou apoio, pra te ajudar física, emocional ou espiritualmente. De repente elas podem até parecer uma dádiva de Deus. E são! Elas estão lá pela razão que você precisa que elas estejam. Mas essa relação tem prazo de validade. Sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esse amigo ou essa amiga vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Às vezes, essas pessoas simplesmente desaparecem. Às vezes, elas se vão. Às vezes, elas agem e te forçam a tomar uma posição. Mas aconteça o que acontecer, devemos entender que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. Suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir. Missão cumprida.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma “Estação”, chegou sua vez de dividir, de crescer e aprender. Os amigos por uma estação trazem para você a experiência da paz, ou simplesmente fazem você rir. Elas podem te ensinar algo que você nunca fez. Geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer… E acredite! É real! Mas somente por uma “Estação”.
Já os relacionamentos de uma “Vida Inteira” te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas da sua vida.

É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente.

Não importa que tipo de amigo você é para as pessoas ao seu redor, nem que tipos de amigos você tem à sua volta. Importante é saber o que fazer com cada um deles. Abraçar muito, rir junto, se comunicar de pertinho ou à distância e principalmente AGRADECER, Agradecer pela simples presença em sua vida, agradecer por proporcionar a você tantas experiências incríveis e tantos momentos. Se os momentos forem ruins, trouxeram aprendizado. Se foram bons, trouxeram alegria de viver.

Ter um amigo é muito bom. Mas SER um amigo é ainda melhor. Faça a sua lista e celebre.

MÚSICA …. OSWALDO MONTENEGRO – A lista

O FÁCIL E O DIFÍCIL

(  079  ) MENSAGEM DO DIA

19 DE JULHO DE 2018  – QUINTA-FEIRA

 

 

Estava aqui pensando com os meus botões. Pensando sobre o fácil e o difícil.

Falar, por exemplo. Falar é muito fácil, não é mesmo? É só ter na cabeça palavras que expressem a nossa opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que o outro se vá.

Julgar as pessoas. Também é fácil. A pessoa está ali, exposta pelas circunstâncias e mesmo sabendo pouco ou nada sobre ela ou sobre o que está, de fato, acontecendo, a gente tem sempre um julgamento a fazer. Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

No campo das relações humanas ser colega é fácil. Todo mundo tem colega e é colega de alguém. Assim como também é fácil fazer companhia a alguém, dizer o que o outro deseja ouvir. Difícil é ser amigo, porque amigo, mesmo, é pra todas as horas e é dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz. E com amor, com respeito, com generosidade.

Analisar a situação dos outros e aconselhar sobre qualquer situação é fácil. Difícil é vivenciar a situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

E raiva? Ahhh raiva é muito fácil sentir e demonstrar. Assim como a irritação, quando algo não está como a gente idealizou. Difícil é conseguir ter paciência e ainda expressar o seu amor numa situação complicada. Quantas pessoas especiais já não perdemos por isso…

E quando queremos camuflar alguma coisa? Mentir fica muito fácil, né? Difícil é mentir para o nosso coração e pra nossa própria consciência.

E as coisas que só a gente quer enxergar? Fácil ver, né? Difícil é saber, quando estamos sozinhos, que é tudo ilusão.

Assim também acontece quando estamos errados. É fácil teimar e bater o pé, querer até apostar, assegurando que a verdade está com a gente. Difícil é admitir com humildade que nos enganamos, que não era bem assim.

Ahhhh como é fácil chegar… coração cheio de expectativas, olhos brilhantes e muitos abraços a dar. Difícil é dizer “adeus”…. principalmente se não aproveitamos, enquanto estivemos juntos, para criar momentos inesquecíveis.

E namorar? Namorar é bom demais e muito fácil! Abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados… Difícil é compartilhar a energia do amor… aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil, também, é querer ser amado. Difícil é amar, incondicionalmente, independente do que sente e mostra o outro.

Aliás, dizer “eu te amo” até que é fácil. Difícil é amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar, confiar e se entregar. E aprender a dar valor a quem também te ama.

Fácil é ditar regras. Difícil é respeitar as regras. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber. Difícil é estar preparado para escutar essa resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é sair pra balada, estar rodeado de pessoas ao longo da vida. Difícil, mesmo, é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na agenda do celular. Difícil é ocupar o coração de alguém.

O superficial, o instantâneo… geralmente é fácil. Difícil é o elaborado, o planejado, o dedicado. Difícil mas não impossível. Difícil porém sólido, pra sempre, com um sabor muito mais consistente.

Essa é a grande diferença entre o fácil e o difícil.

Texto inspirado num poema de Carlos Drummond de Andrade

MÚSICA …. JOTA QUEST – Fácil 

UM PEQUENO GESTO FAZ A DIFERENÇA

(  078  ) MENSAGEM DO DIA

18 DE JULHO DE 2018  – QUARTA-FEIRA

 

 

Murilo era um calouro na escola quando viu um garoto da mesma sala caminhando para casa depois da aula. O nome dele era Carlos.

Parecia que ele estava carregando todos os livros da escola.

Murilo pensou:

“Por que alguém iria levar para casa todos os livros que estão no armário da escola, numa sexta-feira? Ele deve ser mesmo um nerd!”

O final de semana de Murilo estava planejado: festas e um jogo de futebol com os amigos no sábado à tarde. Então nem ligou e seguiu seu caminho.

Mas logo adiante Murilo viu um grupo de garotos correndo em direção a Carlos. Eles atropelaram o garoto, arrancando todos os livros de seus braços, e o empurrando ao chão.

Os óculos do estudante voaram longe. E quando Carlos ergueu o rosto, Murilo viu uma terrível tristeza em seus olhos, deixando-o penalizado.

Correu, então, até ele, enquanto Carlos engatinhava procurando pelos óculos, perdidos na calçada.

Diante da solidariedade do colega, Carlos olhou pra ele ainda com lágrimas nos olhos e agradeceu, abrindo um grande sorriso, daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão.

Murilo o ajudou a apanhar os livros e perguntou onde ele morava, descobrindo que eram vizinhos.

Então foram juntos pra casa, conversando por todo o caminho de volta.

Na despedida, Murilo perguntou se Carlos queria jogar futebol no sábado. Convite aceito.

Assim, passaram juntos o fim de semana todinho. E quanto mais conhecia Carlos, mais Murilo gostava dele. Murilo e os amigos de Murilo.

Chegou a segunda-feira e lá estava o Carlos com aquela quantidade imensa de livros outra vez, agora de volta pra escola! Murilo até brincou:

– Desse jeito vai ficar com os braços bem fortes!

Nos quatro anos seguintes, Carlos e Murilo se tornaram mais amigos, mais unidos. Veio o tempo de faculdade e acabaram escolhendo caminhos diferentes, estudando em cidades diferentes. Carlos ia fazer Medicina. E Murilo ia fazer Educação Física e tentar uma carreira no futebol. Mas a distância não era problema para esses dois grandes amigos.

Chegou o dia da formatura e Carlos foi escolhido como orador da turma, para alegria de Murilo, convidado especial da festa.

Carlos se preparava para o discurso. Vira e mexe recebia um tapinha nas costas de um colega ou uma piscadinha de uma das garotas. Carlos tinha se tornado uma pessoa querida e muito popular na escola.

Murilo foi até ele, deu-lhe um forte abraço e disse:

– Vai em frente, orador. Tudo vai dar certo.

Carlos olhou pra ele com aquele olhar de gratidão e sorriu. Quando subiu ao oratório, limpou a garganta e começou o discurso:

Começou dizendo que a Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante todos os anos duros de estudo: pais, professores, irmãos, talvez até um treinador… mas principalmente os amigos.

Lembrou que ser um amigo para alguém, é o melhor presente que podemos dar às pessoas. E contou a todos uma história comovente, sobre o dia em que conheceu Murilo. Carlos, naquela tarde, estava planejando desistir de viver e ia fazer isso naquele fim de semana. Contou como havia esvaziado o armário na escola, para que a mãe dele não tivesse que fazer isso depois… e estava levando todas as suas coisas para casa quando outros estudantes o derrubaram.

Olhando diretamente nos olhos de Murilo, na plateia, Carlos deu um pequeno sorriso e disse:

– Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!

Murilo observava o nó na garganta de todos na plateia, enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele momento de enorme tristeza vivido alguns anos atrás.

Viu a mãe e o pai olhando pra ele, emocionados, sorrindo com a mesma gratidão.

Até aquele momento Murilo jamais havia se dado conta da profundidade do sorriso que Carlos tinha dado naquele dia. E nesse instante compreendeu o poder de suas ações.

Descobriu que, com um pequeno gesto, podemos mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.

No caso de Carlos e Murilo, para melhor. Muito melhor! E desta vez foi dele o sorriso de gratidão.

MÚSICA …. PLINIO OLIVEIRA – Semente da esperança